Faz
alguns dias que publiquei uma reflexão sobre porque o líder deve priorizar as
relações pessoais (veja em alipioveiga.net). Curiosamente recebi várias manifestações
de apoio em privado. Os poucos que deram sua opinião em público foram aqueles
que costumam expressar o que pensam sem receio de represálias. Esse quadro me
fez perceber um padrão e considerar a possibilidade de estarmos presenciando uma
nova forma de promover censura.
Em Psicologia
estudamos o controle e contra-controle em várias situações, porém, em grande
parte, do ponto de vista da pessoa que, quando é obrigada a fazer algo que lhe
é repulsivo, busca estratégias para evitar uma situação desagradável, ou ainda,
controlar o controlador. Resumidamente, o contra-controle surge nas ocasiões em
que o sujeito está exposto a situações aversivas de controle e tem poucas
opções para se esquivar.
Atualmente,
felizmente, a liberdade de expressão é protegida por lei na maioria dos países
democráticos. Porém os incomodados por essa proteção legal, que desejam censurar
as opiniões contrárias às suas, passam a buscar formas de exercer o
contra-controle, ou seja, manter a censura.
O
que fazer, então?
Recentemente
o portal Noticiasaominuto.com comentou o caso no qual a candidata presidencial
dos EUA, a Senadora Elizabeth Warren, teria sido censurada pelo Facebook,
supostamente, por defender suas ideias contra as gigantes tecnológicas. Vale
esclarecer que o Facebook voltou atrás rapidamente retirando a censura.
Em um
outro exemplo, percebemos que o Brasil sofre com a intolerância à liberdade de
expressão. Por um lado, pela tentativa de desacreditar e controlar a livre
imprensa, promovida por militantes de extrema direita e, por outro lado, pelo
comportamento de alguns jornalistas de extrema esquerda que tentam criar fatos,
ou dar-lhes a indevida relevância, na esperança de confundir a opinião pública.
Em
ambos os casos se observa ações de contra-controle, ou seja, a prática da censura
contra o direito à opinião e à liberdade de expressão.
No
ambiente empresarial os processos de censura também são objeto de
contra-controle. Dessa forma, sob a justificativa de que a empresa pode ser
comercialmente prejudicada, as opiniões divergentes são entendidas como
ameaças, sendo suprimidas usando-se, para tanto, o temor da demissão. Em outras
palavras, é censura na prática.
Parece
que alguns líderes são incapazes de enxergar que a opinião de seus liderados
pode ser uma forma genuína para refletir e melhorar as práticas de gestão, e
que essas opiniões não intencionam, com poucas exceções, destruir o negócio ou
derrubar seus superiores. Assim, muitos executivos de empresas, sem
saber como lidar com pontos de vista divergentes, fazem uso da censura e, até
mesmo, substituem aqueles que expressam opiniões diferentes das suas.
Fica
a reflexão: É, no mínimo, contraditório a empresa querer estimular a inovação,
ao mesmo tempo em que não sabe conviver com a criatividade e liberdade de
expressão de seus funcionários.
Alipio
Veiga (março/2019)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.