Hoje resolvi escrever este pequeno artigo motivado pela feliz confirmação de que as relações humanas são muito superiores às efêmeras modas na estratégia empresarial e às frias decisões financeiras de algumas empresas que vivem sob a ditadura do lucro a qualquer custo.
Liderar é um ato solitário e, muitas vezes, triste, no qual somos obrigados a tomar decisões amargas. Frequentemente perde-se noites e finais de semana buscando opções para atender às exigências da direção da organização, sem prejudicar os profissionais de sua equipe “em grupo”. Faço questão de salientar “em grupo” porque muitas vezes nos vemos obrigados a demitir um ou outro colega, já que aquela demissão, por mais dolorosa que possa parecer, contribuirá para reforçar o grupo enquanto equipe coesa.
A questão fica difícil quando, de nossa posição privilegiada, percebemos nuvens negras a se aproximar rapidamente, as quais ameaçam o emprego de vários bons profissionais de nossa equipe e, algumas vezes, a própria existência do grupo. É triste, mas alertar os colegas, nessa hora, só vai promover o pânico generalizado e a disseminação de fofocas.
O que fazer, então?
Meu conselho, para aqueles que querem ser líderes verdadeiros, é ter sempre em mente que as relações humanas são superiores às ondas marqueteiras, às frias decisões de caráter estritamente financeiro e aos desmandos de superiores ambiciosos.
Isso funciona por um motivo muito simples: Mesmo sem ter consciência de que estamos a responder aos nossos impulsos biológicos, agimos em função de pertencer e proteger o grupo social. A lista de exemplos seria enorme, mas podemos pensar em alguns, como os grupos religiosos e tribais, as atuais “Brand Community”, ou mesmo a construção de muros para separar países.
A motivação que leva uma pessoa a assumir o papel de líder é a mesma que faz todos os outros profissionais a querer um emprego estável, um bom salário ou, até mesmo, a dos acionistas ávidos por valorizar suas ações, ou seja, tem caráter biológico e vincula-se à necessidade básica de pertencer e ser protegido por um grupo social.
Então, enquanto líder, não espere as coisas ficarem negras para agir. Antes que o período de crise chegue, ou seu diretor tenha um rompante de mostrar serviço, ensine seu pessoal a não colocar todos os ovos numa única cesta, comemore com toda a equipe quando alguém receber uma melhor oferta de trabalho e, se você não for covarde, estimule e incentive-os a buscar novas oportunidades. Agindo assim será possível conquistar a confiança dos liderados ao mesmo tempo que entrega à empresa aquilo que ela espera da sua equipe.
Lembre-se, a empresa passa, mas as relações humanas permanecem, se transformando em amizades eternas ou, no mínimo, bons contatos profissionais.
(Alipio Veiga, março/2019)
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